
Minha tia Emília morrera há muito tempo, de cancro, e o meu avô morrera também, de velhice. Vi-me só. Era novo, tinha a cabeça cheia de sonhos, começava a escrever. Não tinha onde cair morto, mas decidi ir ao Egipto. Findava os anos 50, era o tempo da grande emigração. Enfiei as mãos nos bolsos e atravessei a fronteira, por Lindoso, descontraído, a assobiar, sem passaporte, sem dinheiro, mas com a cabeça fervilhante de projectos literários. Propunha-me atravessar uma catrefada de países, trabalhando aqui e acolá (em quê, se eu não sabia fazer nada para além de escrever?), até chegar ao Egipto, onde faria umas escavações, desenterraria uns tesouros, para depois regressar cheio de fama...
Deste excelente contador de histórias, temos aqui "Histórias de Macau", na edição da INCM.
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