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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Só para a Roménia eram mais duas semanas

Dia 22 (I)
16 de Agosto de 2010

A Roménia vai obrigar a um regresso com mais tempo. Nas excelentes (e várias) livrarias de Bucareste pudemos ver alguns livros sobre o país e tudo nos pareceu muito apetecível. Por falar em livros e em Roménia, não podemos deixar de referir a Prémio Nobel da Literatura de 2009, Herta Müller, um bom exemplo da miscelânea cultural desta zona da Europa. Nascida na aldeia de Nitzkydorf, perto de Timisoara, no seio de uma família germano-romena, ela "fala da aldeia, mas a sua aldeia é o lugar da ausência, onde as coisas (...) narram a opressiva estranheza do mundo e também do indivíduo de si para si", segundo Claudio Magris.


Não é uma leitura fácil, por vezes é até incómoda - a estranheza de que fala Magris - mas os livros estão soberbamente escritos e tocam fundo.

Ou seja, ainda ficou muito por ver mas, são horas de partir para o Delta (a facilidade com que uma pessoa se distrai dos seus objectivos...).

domingo, 15 de agosto de 2010

El pueblo salió a la calle

Dia 21 (II)
15 de Agosto de 2010

Uma característica comum a estes países da Europa Central é o uso que fazem do espaço público. São imensas as pessoas que passeiam nos parques, nas praças e ruas, para além das que desfrutam das esplanadas. Em Bucareste, há um canto especial, num parque, para os inveterados de jogos de tabuleiro, como se pode ver na foto (uma imagem comum a outros países europeus, como Portugal).


Os preços continuam baixos, mas nem sempre tanto como na Bulgária (a vinheta para poder circular nas estradas custou apenas €3 mas o jantar já ficou em €5 por pessoa). O que se tem mantido é o fundo sonoro: dir-se-ia que não temos parado de ouvir a M80 desde que chegámos à Hungria.

Uma última curiosidade por hoje: os empregados dos cafés e restaurantes sentem-se mais confortáveis a falar connosco em espanhol do que em inglês, pois dominam melhor aquela língua.

Onde o charme vem do ecletismo


Dia 21 (I)
15 de Agosto de 2010
Bucareste, com a consciência de que ignoramos quase tudo sobre a Roménia e sobre os romenos. A cidade foi florescente de 1900 a 1930, em parte graças aos judeus mais prósperos, que convidaram arquitectos famosos para fazer as suas casas. Hoje, daquilo que vimos da cidade, ela é um misto de edifícios enormes (como o Parlamento, o 2º maior do mundo, a seguir ao Pentágono), grandes hotéis de cadeias internacionais, prédios em estado variado de conservação e algumas casas lindíssimas, apesar de muitas estarem decrépitas. No centro histórico, um pequeno e animado emaranhado de ruas pedonais, as pessoas descontraíam-se nas várias esplanadas, aproveitando o imenso calor de uma tarde de domingo. Mas convém sair do cenrtrinho para ter uma melhor ideia da cidade, que é interessante.

Por acaso, apanhámos uma missa. A grande maioria dos romenos é ortodoxa mas o ritual era algo diferente daquele que conhecemos, com as pessoas de joelhos sobre um tapete, por vezes debruçadas no chão, quase como os muçulmanos. Havia, inclusive, pessoas a acompanhar a missa fora da igreja (que tinha altifalantes no exterior).

Grandes boulevards e parques (um com um lago) atenuam alguma da decadência arquitectónica e/ou marcas do antigo regime.

É talvez esta curiosa mistura, temperada com uma grande capacidade de auto-ironia e de auto-crítica, que o cinema romeno contemporâneo tão bem tem sabido recriar, o que faz dele o mais interessante cinema europeu dos últimos 3 ou 4 anos.