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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O barco! O automóvel brilhante, O trilho solto, o barulho


Dia 16 (I)
10 de Agosto de 2010

Cá estamos nós de volta, após uma ausência cheia de aventuras.

Saímos de Belgrado em direcção à fronteira com a Bulgária. Tinhamos alguma (escassa) informação sobre uma rota de vinhos em Rajac. Seguindo sempre ao longo do Danúbio, fizemos cerca de 100 km (que duraram 2 horas dado o estado das estradas) com o rio mesmo ao lado. Do outro lado, a Roménia.

Quase no final do percurso, passámos pela garganta conhecida como Portas de Ferro, a antiga fronteira turca. Dum lado, os Cárpatos, do outro, os Balcãs. É deveras impressionante. Hoje, é mais fácil navegar por aqui, pois há uma central eléctrica que apaziguou as águas. No tempo dos Argonautas, chefiados pelo Jasão, em busca do Velo de Ouro - e imortalizados pelo Caetano Veloso - a viagem terá sido talvez tão demorada como a nossa!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A menina dança?






Dia 15 (IV)

9 de Agosto de 2010

Um aspecto particularmente interessante de Belgrado é a grande quantidade de parques e o intensíssimo uso que deles fazem os seus habitantes. A qualquer hora do dia, há imensas pessoas, de todas as idades, a passear e a conviver, a estudar ou a ler, ... No Parque Kalemegdan, podem fazê-lo com o privilégio de uma vista deslumbrante sobre a confluência dos 2 rios que banham a cidade: o Danúbio e o Sava. Este parque era, na viragem do séc. XIX para o XX, o centro da vida social de Belgrado, onde os membros das famílias proeminentes da cidade reservavam lugar nos bancos de jardim para ouvir e dançar valsas tocadas por uma orquestra.

Amanhã de manhã, voltamos à estrada. Como vamos a caminho do desfiladeiro das Portas de Ferro, é possível que não consigamos dar notícias diárias aos nossos estimados leitores.

Crónica de Belgrado


Dia 15 (II)
9 de Agosto de 2010
Em Belgrado há uma casa-museu do Prémio Nobel da Literatura, Ivo Andric (1892-1975), autor de um dos mais fabulosos livros sobre a convivência entre as culturas nesta região conturbada dos Balcãs, felizmente traduzido para português numa bela edição da Cavalo de Ferro: A Ponte sobre o Drina. No site da editora há uma descrição de abrir o apetite: http://www.cavalodeferro.com/index.php?action=product_info&products_id=128

Andric viveu em Belgrado grande parte da sua vida, a sua cidade de eleição, apesar de ter nascido em Travnik, na actual Bósnia. Belgrado, não sendo uma cidade bonita, tem partes e aspectos muito interessantes que a tornam, simultanemente, cosmopolita e aldeia grande, buliçosa e acolhedora e onde há bairros com inúmeros restaurantes, cafés e bares, todos com agradáveis esplanadas, convivendo pacificamente (sem ruído nem mobiliário de plástico) com moradores, e mercearias abertas 24 horas por dia.

Muito típicas são as kafanas, uma espécie de tasca (o que os franceses denominariam de bistrot local), com óptima comida a preços fantásticos. Ao contrário do que se possa pensar, não são nada turísticas, havendo até algumas cujo menu só existe em sérvio.