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sábado, 14 de agosto de 2010

O grande (?) Elias


Dia 20 (I)
14 de Agosto de 2010

Realmente, o trabalho de uma dona de casa nunca acaba. Mas, enfim, lá sobrou um tempinho para dar uma volta pela cidade, conhecida como "a pequena Viena", devido aos seus edifícios, alguns deles classificados como Património Europeu (uma designação que ignorávamos mas a que estaremos atentas doravante).

No meio de tantos edifícios associados a figuras ilustres da cidade, é de estranhar a quase omissão ao Prémio Nobel da Literatura nascido em Ruse: Elias Canetti, nascido no seio de uma abastada família de judeus sefarditas (os tais que falam espanhol antigo). Em Ruse, ele sofre da síndrome do Rui Rio relativamente aos Nobel da Literatura. O livro Auto de Fé é considerado a sua obra-prima (naturalmente, esgotadíssimo há anos em Portugal). Há, contudo, uma autobiografia, A Língua Posta a Salvo, recentemente editada, mas que não se recomenda pois mostra sobretudo o mau feitio do homem e pouco do escritor.
Referências culturais à parte, Ruse é uma agradável paragem para quem estiver a fazer o percurso do Danúbio, ou simplesmente a visitar a Bulgária, apesar de, não estando de costas para o rio, também não estar propriamente de braços abertos para ele.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Crónica de Belgrado


Dia 15 (II)
9 de Agosto de 2010
Em Belgrado há uma casa-museu do Prémio Nobel da Literatura, Ivo Andric (1892-1975), autor de um dos mais fabulosos livros sobre a convivência entre as culturas nesta região conturbada dos Balcãs, felizmente traduzido para português numa bela edição da Cavalo de Ferro: A Ponte sobre o Drina. No site da editora há uma descrição de abrir o apetite: http://www.cavalodeferro.com/index.php?action=product_info&products_id=128

Andric viveu em Belgrado grande parte da sua vida, a sua cidade de eleição, apesar de ter nascido em Travnik, na actual Bósnia. Belgrado, não sendo uma cidade bonita, tem partes e aspectos muito interessantes que a tornam, simultanemente, cosmopolita e aldeia grande, buliçosa e acolhedora e onde há bairros com inúmeros restaurantes, cafés e bares, todos com agradáveis esplanadas, convivendo pacificamente (sem ruído nem mobiliário de plástico) com moradores, e mercearias abertas 24 horas por dia.

Muito típicas são as kafanas, uma espécie de tasca (o que os franceses denominariam de bistrot local), com óptima comida a preços fantásticos. Ao contrário do que se possa pensar, não são nada turísticas, havendo até algumas cujo menu só existe em sérvio.