A propósito do destaque dado ao livro de T. E. Lawrence, colocámos no escaparate o livro "A Grande Guerra pela Civilização. A Conquista do Médio Oriente", do jornalista inglês Robert Fisk (das Edições 70, já em 2.ª edição).Nesta obra, o autor retrata os diversos conflitos que têm lugar no Médio Oriente, a sua génese e os seus intervenientes, em descrições por vezes de um realismo atroz – a crueza dos combates, a luta sem quartel, o cinismo das decisões. Note-se que, neste caso, Médio Oriente deve ser entendido em sentido lato, pois os relatos do autor vão desde a invasão soviética do Afeganistão em 1980, até à(s) guerra(s) da Argélia. Por outro lado, o fio da História que percorre a obra permitirá ao leitor perceber as causas dos conflitos que grassam na região, seja na Palestina ou no Iraque: e Fisk mostra-nos que não se aprendeu com os erros do passado. Uma obra compósita, misto de crónica, relato de correspondente de guerra, evocação memorialista, de alguém que vive e noticia sobre a região há mais de 30 anos.
Mais um livro que nos ajuda a compreender melhor o que se passa na actualidade nesta região do mundo.
Robert Fisk é correspondente estrangeiro para o Médio Oriente, e cobriu todos os conflitos da região desde 1976, alargando até o seu raio de acção ao Afeganistão, cuja invasão em 1980 noticiou, com reportagens no local. Reside em Beirute, no Líbano, país a que dedicou uma obra monumental, Pity the Nation. Escreveu ainda dois livros sobre o conflito na Irlanda do Norte.
Fica aqui o link para os seus artigos no The Independent, sempre plenos de interesse.
http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/


Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, tem algumas dezenas de títulos publicados. Infelizmente, em Portugal, quase não há nada traduzido, e o que há está esgotado ou assim se diz. Depois de Hugo Chávez ter oferecido a Obama o livro "Open Veins of Latin America. Five centuries of the pillage of a continent", em 2009, este tornou-se um best-seller nos E.U.A. em apenas dois dias. Mas, desde a sua publicação na língua original, em 1971, há muito que "Las venas abiertas de América Latina" é considerado um clássico. No prefácio, da autoria da chilena Isabel Allende, ficamos a saber que este foi um dos poucos objectos que a escritora conseguiu levar consigo quando teve de sair do país, logo após o golpe militar de 1973.


Acabou de sair em português o livro "Baku, últimos dias", do francês Olivier Rolin, numa edição da Sextante.