Mostrar mensagens com a etiqueta bicicleta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bicicleta. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Byrne de bicicleta

Os artistas normalmente só mostram a sua persona pública. E nem sempre ficamos a saber quanto desta representa realmente o ser humano que está por detrás.
Em "Diário da Bicicleta" (Quetzal), David Byrne, fundador da banda Talking Heads, revela muito do que pensa sobre diversos assuntos, como a música, o urbanismo, a moda ou a arquitectura, enquanto pedala pelas cidades onde dará concertos. Quanto mais pedala, mais se convence de que o ciclismo urbano favorece um conhecimento mais profundo e enriquecedor dos locais e das suas dinâmicas e pulsações.
E como isto renova o olhar sobre nós próprios. Na página 170, descreve como, de regresso de Buenos Aires, num voo da American Airlines com destino a Miami, "(...) O inconfundível timbre nasalado de um sotaque americano ecoa no avião (...). As vozes irradiam confiança, superioridade (não soam muito flexíveis ou de espírito aberto, e não são). Depois das vogais suaves e sensuais da América Latina, isto - a minha língua - soa duro, cruel, autoritário."
Mais uma prova de que viajar abre os horizontes.
Fica aqui um artigo sobre a paixão do músico e artista plástico pelas bicicletas:
http://mobilidadesuave.org/david-byrne-e-a-bicicleta/

quarta-feira, 11 de abril de 2012

De bicicleta pela Alemanha

Jerome K. Jerome (1859-1927) esceveu "Três Homens num Bote", que se tornou um clássico (e que lhe permitiu dedicar-se à escrita desde então), e, dez anos depois, pegou nas mesmas personagens e levou-as a dar um passeio de bicicleta, desta vez na Alemanha, com a Floresta Negra como meta.

Um retrato divertido (por vezes mesmo hilariante) da sociedade alemã e das suas particularidades. O facto de o livro ter sido escrito em 1900 não lhe retira a actualidade. Fica aqui um excerto:

"Os alemães gostam muito de cães, mas em geral preferem-nos de porcelana. O cão de porcelana não escava na relva para enterrar ossos e não espalha canteiros ao vento com as patas traseiras. Do ponto de vista germânico, é o cão ideal."

Durante a Primeira Guerra Mundial conduziu ambulâncias para o exército francês, dado ter sido rejeitado pelo exército inglês, devido à idade (tinha, na altura, 56 anos), tendo sido profundamente afectado pela experiência.

Ambos os livros estão publicados em Portugal pela Cotovia.

sábado, 24 de março de 2012

Viagens e turismo em bicicleta

Esteve anunciado para dia 31 deste mês, mas tivemos de adiar para 14 de Abril: vamos ter cá o Ricardo Sobral e o Pedro Carvalho a falar sobre " Viagens e turismo em bicicleta", tanto numa perspectiva urbana como em BTT. Essa semana e a seguinte serão dedicadas à bicicleta.
Dois links para abrir o apetite:
http://bicicletanacidade.blogspot.pt/ (o blogue do Ricardo)
http://pt-br.facebook.com/B.CulturadaBicicleta (da revista B - Cultura de Bicicleta, de que o Pedro é director)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Em busca de Malacovia


Dia 23 (III)
17 de Agosto de 2010
Como não vimos Lipovenos de barba, fomos à procura de Malacovia, uma cidade-fortaleza de ferro, construída em 1870 no Delta do Danúbio e concebida por um excêntrico príncipe Nogai (uma etnia turcomana do sudoeste da Rússia), escondida nos pântanos. O objectivo era aí criar uma pátria e capturar os navios russos no Mar Negro.
Educado em São Petersburgo, o príncipe inspirou-se numa invenção que dava os primeiros passos: a bicicleta. Malacovia era uma espécie de ovo de ferro eriçado de canhões que podia descer, em caso de emergência, para uma plataforma situada sob os pântanos do Delta, graças a um gigantesco sistema de rodas dentadas ligadas a uma série de bicicletas nas quais pedalavam 50 tártaros Nogai.

Devido à extrema humidade do Delta, o mecanismo das rodas dentadas emperrou e, num dia do ano de 1873, o ovo não conseguiu descer para o seu ninho, apesar dos imensos esforços dos 50 ciclistas Nogai. Conscientes da proximidade do fim, o príncipe e os seus correlegionários fogem, com as bicicletas sobre a cabeça, por um túnel secreto, e dispersam-se pelo mundo. Nos anos 1900 era comum observar-se, em Paris ou em Londres, um tártaro (com a cabeça baixa sobre o guiador) percorrendo as avenidas a uma velocidade estonteante.

Esta bela história de Amedeo Tosetti, denominada Pedali sul Mar Nero, encontra-se compilada no Dictionnaire des Lieux Imaginaires, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupe. A ideia de Malacovia foi retomada recentemente por um estudante malaio, que cresceu na Alemanha e se mudou para Londres, numa tese de design: http://www.pascalbronner.com/

Nas imagens, a 1ª é de Bronner e a 2ª de Tosetti. E, como é óbvio, não apanhámos assim tanto sol na cabeça no Delta que fossemos à procura de Malacovia. É apenas uma boa história, sobretudo agora que temos de pensar em regressar e, acedendo aos insistentes pedidos dos nossos seguidores, continuar este blog.